O Marinheiro

Era uma vez um marinheiro, entretanto este não mais se comportava como um. Era um marinheiro aposentado, havia se recolhido, se retirado dos mares para uma vida terrestre. Talvez tivesse sido oxidado pelo sol, talvez tivesse sido congelado por um vento frio, ou quem sabe apenas não visse mais sentido em estar dentro de um barco velejando por águas turvas ou cristalinas.

E por isso ele acabou por mudar-se para uma selva, selva de pedra. E engana-se quem pensa que as instabilidades da vida urbana amedrontavam o marinheiro. Rotina, segurança, insegurança, tudo isso não o incomodava tal como as inconstâncias dos mares vinham lhe perturbando nos últimos tempos.

E por isso ele abandonou os mares. Sentia que estava na hora de escolher seu próprio destino, de tomar o controle de sua existência e de não mais deixar que as estrelas lhe guiassem e que os ventos e a correnteza lhe transportassem para qualquer lugar.

E assim o marinheiro deixou de ser marinheiro para ser mais um dos inúmeros homens comuns que habitam este mundo. Ou não.

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