Ciclo

Ele pensava sobre quantas pessoas passaram por sua vida. Pessoas boas, ruins, pessoas que o marcaram ou não. Mas era inevitável também pensar sobre quantas destas, especialmente as boas, ou pelo menos que se diziam assim, o deixaram. É, o deixaram, esqueceram dele quando ele mais precisava. Quantas deixaram de notar que ele estava lá, quantas pessoas sequer o perceberam enquanto que tudo o que ele queria era ser visto por elas. Não notaram suas lágrimas, seus sorrisos, seus anseios, seus medos, enfim, ele pensava sobre as pessoas que nunca deram a mínima importância a ele.

E enquanto ele ponderava sobre todas essas pessoas, enquanto questionava inúmeras coisas sobre elas, deixava de ver outras. E talvez estas outras jamais deixaram de notá-lo.

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Let It Rain

A tempestade se aproximava. Os ventos estavam furiosos, os trovões impetuosos e a escuridão tomava conta sem hesitar. Chegava o momento em que o fim parecia estar prestes a acontecer, o apocalipse havia chego. Era como se todos os medos, erros e arrependimentos viessem à tona, era como se os céus fossem desabar e não houvesse para onde correr.

Às vezes esse sentimento nostálgico de fim chega forte como uma tempestade até nós, o que nos faz sentir sem saída, sem salvação. Contudo, é geralmente quando nos sentimos assim que a saída está bem em nossa frente e é muito mais simples do que imaginamos.

Há momentos em que nos vemos em uma complicação tão exorbitante que não conseguimos raciocinar sobre como agir e então nos perguntamos o que fazer, para onde ir, como sentir-se a salvo… Tantas possibilidades enquanto a única coisa que deveríamos fazer é simplesmente deixar chover.

 

Super-Homem

Momentos. Momentos bons. Momentos ruins. Altos. Baixos. Instantes. Antes. Agora. Depois. É sempre assim, tudo muda e oscila constantemente, nada é como foi a um segundo atrás. E talvez por isso eu às vezes me pergunte sobre quantas pessoas diferentes consigo ser em um único dia. Várias, várias pessoas, algumas que eu até desconheço ou talvez até negue ser. Um eu agora, outro eu no instante seguinte.

Mas, sendo eu um ser humano, costumo, tal como todos, esconder algumas de minhas facetas. Sou daqueles que, por mais que tenha vários egos dentro de si, força-se para ser apenas um. Cuido, cuido para não deslizar, cuido para que no próximo instante eu continue a ser aquele que eu preferencialmente escolhi. Minhas outras máscaras, bem, estas só uso diante de mim mesmo.

Mas qual das minhas facetas escolhi? Escolhi a do invulnerável. Preferi o forte, o indestrutível, o implacável, o poderoso imortal que pode quebrar a qualquer momento. Sim, máscaras sempre caem, é impossível não oscilar, é impossível não cair de vez em quando, nem que seja por apenas alguns segundos. E então vem o meu detestado eu. O vulnerável. Sim, também tenho essa expressão. Também sou fraco, sou aquele que teme a novidade, aquele que se atrapalha diante do inesperado, enfim, aquele que parece perder a respiração quando perde o controle da situação.

Porém, o que me conforta sobre a vulnerabilidade, é que ela, assim como tudo nessa vida, é efêmera. Não totalmente, é claro, mas o instante de fraqueza, assim como o de força, se encerra mais cedo ou mais tarde. E assim, despois de o fraco ter vindo à tona, depois de os temores e dificuldade mais íntimas terem sido expostos, depois de as feridas quase cicatrizadas terem sido remoídas uma vez mais, o peito derretido do homem de aço se enrijece novamente.

O indestrutível voltou. O implacável, o forte, o invulnerável retorna ao seu estado de proteção, pois as camadas de gelo que o cercam se fixaram outra vez. O heroi, e não a vítima, está no comando. O homem foi embora. O super-homem dentro de mim voltou.

Sobre Importância

“Você é muito importante para mim”. Já ouvi essa frase de muitos, já senti sinceridade nessa frase por parte de muitos e eu já disse essa frase a muitos também. É uma frase intensa, boa de se ouvir e boa de se dizer. Te da segurança, te faz sorrir, te faz mais forte. É bom saber que você é importante para alguém, é bom sentir que você faz a diferença na vida das pessoas, é bom saber que pelo menos para alguém você não é mais uma pessoa que vaga por esse mundo.

Mas o que é preciso entender é que a vida é feita de momentos e momentos não são eternos e sim passageiros. Talvez você fosse mesmo importante para quem te disse isso naquele momento, mas às vezes acontece alguma coisa e você deixa de ser. Você decepciona, você erra, você mete os pés pelas mãos, ou às vezes a pessoa se desaponta ou erra e acaba sobrando para você. Algumas pessoas permanecem na sua vida, outras vem e vão, o que não quer dizer que as que ficam sejam as mais importantes para você. Talvez alguém que já tenha cruzado o seu caminho tenha te marcado tanto que nunca deixará de ser importante, talvez você sinta saudades dos momentos que passarem juntos até o fim. Ninguém sabe como vai ser, só o tempo. O tempo é a resposta e é a pergunta também.

Mas é sempre ruim pensar que você deixa de ser importante para alguém, é difícil quando você acaba se tornando mais um para um alguém que ainda significa muito para você. Dá saudades, dá vontade de significar de novo. E então talvez você faça algo para se tornar importante outra vez, mas quem sabe você seja orgulhoso demais para isso. Talvez valha a pena, talvez não, porém, quanto a isso você só vai saber se tentar. Talvez você diga o que tem a dizer olhando nos olhos da pessoa, ou quem sabe você escreva um texto idiota como este refletindo sobre a importância. Bem, mas pensando por esse lado, se te levou a fazer alguma coisa, seja esta coisa qualquer coisa, é porque sim, foi mais que importante.

E aí, vai fazer o quê?

Humanos e Insatisfeitos

Eu, incansavelmente, me questiono sobre o “impossível”. Gostaria de saber por qual motivo essa palavra atrai tanto o ser humano, gostaria de saber o que ela tem de especial ou por que é tão hipnotizante para todos nós. Amores impossíveis, sonhos impossíveis, pessoas impossíveis, por que sempre desejamos estes mais do que qualquer outra coisa? Podemos até ter o suficiente em nossas mãos, podemos estar bem, sossegados, mas basta aparecer algo que nos pareça impossível para largarmos tudo o que temos e correr atrás do que sabemos que talvez nunca consigamos. Não, o ditado que diz que é melhor ter um pássaro na mão a dois voando não se aplica a nós.

Mas penso que talvez isso não aconteça por uma atração com o impossível e sim pelo fato de que nós, pobres mortais, temos um pequeno grande problema com a palavra “satisfação”. Talvez não sejam os sonhos, os amores ou as pessoas impossíveis, mas sim a satisfação, o contentamento. “I can´t get no satisfaction”, já diziam os Rolling Stones. É fato, ninguém se satisfaz, pelo menos não com pouco, por isso sempre buscamos algo que vai além do que podemos, algo que está longe, algo realmente difícil de ter, algo literalmente impossível. Parece que nosso inconsciente escolhe exatamente aquilo que nos fará trabalhar muito duro, aquilo que nos fará penar e sim, até sofrer, parece que nosso inconsciente faz questão de que desejemos algo talvez nunca venhamos a ter. Queremos tudo o tempo todo e queremos nada além do melhor, queremos exatamente o que imaginamos, queremos o perfeito. Espere, mas não seria o perfeito impossível? É o que eu digo, nunca estaremos satisfeitos, sempre iremos querer o impossível, sempre iremos querer o braço ou até mesmo o corpo todo de quem nos ofereceu apenas a mão.

E ligado a ao que é impossível e a satisfação vem o sentimento de frustração, o qual pode ocorrer de duas maneiras. Primeiramente podemos ficar frustrados por nunca conseguirmos o que queremos, mas podemos também nos frustrar quando finalmente conseguimos o que tanto desejamos. Não, você não leu errado, é exatamente isso. Idealizamos, sonhamos, planejamos e então, quando vem teoricamente o “final feliz”, quando finalmente atingimos nosso objetivo, descobrimos que o amor de nossas vidas não é quem pensamos ser, encontramos pobres em países de primeiro mundo e percebemos que o dinheiro não traz felicidade. E engana-se quem pensa que isso é insatisfação, pois não é, afinal, nós, seres humanos, nunca vamos ficar completamente satisfeito – o nome disso é “cair na realidade”. Podemos até atingir nossos objetivos, mas veremos que nem mesmo a sensação de dever cumprido nos completa. Estará sempre faltando alguma coisa, você sempre achará algo de que precisa.

Há quem diga que não tem grandes ambições, há quem diga que não sonha, há quem diga que se contenta com pouco, há quem diga que não precisa de nada. Só não nos esqueçamos que as pessoas que dizem isso são seres humanos e, portanto, mentirosos também. É, mentem quando dizem que estão satisfeitos, tenho certeza que mentem, pois aposto que bem lá no fundo, desejam o mundo a seus pés. E engana-se quem pensa que há algum mal nisso. Não há problema algum em ter suas ambições, seus sonhos impossíveis, não há problema nenhum em querer o que não se pode ter. Os desejos movem o mundo, os sonhos são o motivo pelo qual vivemos. E é por isso quem diz que quem diz que não sonha mente, afinal, quem não sonha simplesmente não vive.

E você, o que está querendo hoje?

Dádiva

Conversas íntimas, risadas verdadeiras, ironias cômicas, tapas carinhosos, desabafos profundos, cerveja gelada, comida simples, notas de uma guitarra sendo afinada, contos sangrentos, músicas agressivas, baladas tristes, cantos de músicas amadas…

Uma noite com amigos é assim, especial em cada singularidade. É uma noite da qual se sentirá falta, é uma noite que sempre será lembrada. Noite pra sorrir, noite para chorar, noite para rir, noite para cantar.

Você sabe que o sentimento é verdadeiro quando você percebe que, não importam as dificuldades, não importa o tempo, não importa o lugar, a distância, não importa quais surpresas a vida trouxer, todos sempre estarão, independente do qual caminho escolherem, caminhando de mãos dadas pela mesma estrada.

Obrigado meus amigos, obrigado por cada segundo.